{"id":18190,"date":"2024-03-24T14:10:21","date_gmt":"2024-03-24T13:10:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.yvar-bregeant.com\/volume-2-introducao-um-resumo-preliminar-das-duas-religioes-primordiais-antagonicas\/"},"modified":"2025-04-16T16:23:29","modified_gmt":"2025-04-16T15:23:29","slug":"volume-2-introducao-um-resumo-preliminar-das-duas-religioes-primordiais-antagonicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.yvar-bregeant.com\/pt-pt\/volume-2-introducao-um-resumo-preliminar-das-duas-religioes-primordiais-antagonicas\/","title":{"rendered":"Volume 2 Introdu\u00e7\u00e3o: Um resumo preliminar das duas religi\u00f5es primordiais antag\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"18190\" class=\"elementor elementor-18190 elementor-18056\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-866cc93 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"866cc93\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8e997ee elementor-toc--minimized-on-tablet elementor-widget elementor-widget-table-of-contents\" data-id=\"8e997ee\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;exclude_headings_by_selector&quot;:[],&quot;no_headings_message&quot;:&quot;Aucun titre n\\u2019a \\u00e9t\\u00e9 trouv\\u00e9 sur cette page.&quot;,&quot;headings_by_tags&quot;:[&quot;h2&quot;,&quot;h3&quot;,&quot;h4&quot;,&quot;h5&quot;,&quot;h6&quot;],&quot;marker_view&quot;:&quot;numbers&quot;,&quot;minimize_box&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;minimized_on&quot;:&quot;tablet&quot;,&quot;hierarchical_view&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;min_height&quot;:{&quot;unit&quot;:&quot;px&quot;,&quot;size&quot;:&quot;&quot;,&quot;sizes&quot;:[]},&quot;min_height_tablet&quot;:{&quot;unit&quot;:&quot;px&quot;,&quot;size&quot;:&quot;&quot;,&quot;sizes&quot;:[]},&quot;min_height_mobile&quot;:{&quot;unit&quot;:&quot;px&quot;,&quot;size&quot;:&quot;&quot;,&quot;sizes&quot;:[]}}\" data-widget_type=\"table-of-contents.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-toc__header\">\n\t\t\t\t\t\t<h6 class=\"elementor-toc__header-title\">\n\t\t\t\tTabela de conte\u00fado\t\t\t<\/h6>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-toc__toggle-button elementor-toc__toggle-button--expand\" role=\"button\" tabindex=\"0\" aria-controls=\"elementor-toc__8e997ee\" aria-expanded=\"true\" aria-label=\"Open table of contents\"><i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-chevron-down\"><\/i><\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-toc__toggle-button elementor-toc__toggle-button--collapse\" role=\"button\" tabindex=\"0\" aria-controls=\"elementor-toc__8e997ee\" aria-expanded=\"true\" aria-label=\"Close table of contents\"><i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-chevron-up\"><\/i><\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div id=\"elementor-toc__8e997ee\" class=\"elementor-toc__body\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-toc__spinner-container\">\n\t\t\t\t<i class=\"elementor-toc__spinner eicon-animation-spin eicon-loading\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-57757f9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"57757f9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p> J\u00e1 mencionei v\u00e1rias vezes que minha s\u00e9rie destacar\u00e1 e comparar\u00e1 duas religi\u00f5es, duas vers\u00f5es com interpreta\u00e7\u00f5es diferentes dos mesmos eventos hist\u00f3ricos no \u00c9den b\u00edblico.<\/p><p>Agora considero \u00fatil fornecer um resumo comparativo das respectivas doutrinas dessas duas grandes religi\u00f5es universais originais na introdu\u00e7\u00e3o deste grande volume 2 (embora este volume seja apresentado cronologicamente e n\u00e3o doutrinariamente).<\/p><p>Penso que o conhecimento pr\u00e9vio das principais linhas doutrinais subjacentes a cada um dos dois sistemas de pensamento ou religi\u00f5es primitivas lhe permitir\u00e1, \u00e0 medida que for confrontado com um acontecimento ou um ensinamento, saber reposicion\u00e1-lo corretamente no quadro doutrinal global da respectiva religi\u00e3o.<\/p><p>Obviamente, neste resumo, vou proceder por asser\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u00c9 prov\u00e1vel que provoque s\u00e9rias d\u00favidas, ou muitas perguntas, ou sobrancelhas levantadas, ou mesmo sorrisos ir\u00f3nicos. Mas, conforme demonstramos progressivamente, h\u00e1 pouca d\u00favida de que essas rea\u00e7\u00f5es perfeitamente compreens\u00edveis dar\u00e3o lugar ao espanto, para n\u00e3o dizer assombro, ap\u00f3s o que chegar\u00e1 o momento da nega\u00e7\u00e3o ou da aceita\u00e7\u00e3o.<br>A demonstra\u00e7\u00e3o que se seguir\u00e1 ser\u00e1 a mais empolgante.<\/p><p>Mas vejamos agora as diferen\u00e7as fundamentais entre estas duas vers\u00f5es:<\/p><p>De fato, embora ambas as vers\u00f5es &#8211; a b\u00edblica e sua vers\u00e3o mitol\u00f3gica contradit\u00f3ria &#8211; acreditem, como demonstraremos, em um casal humano primordial, Ad\u00e3o e Eva, e falem de sua uni\u00e3o, depois de sua rebeli\u00e3o contra a soberania divina por um desejo de independ\u00eancia e das consequ\u00eancias fatais que isso teve para eles e para a humanidade, elas diferem essencialmente em :<br>&#8211; sua concep\u00e7\u00e3o de Deus<br>&#8211; a raz\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o dos seres humanos e o prop\u00f3sito de sua exist\u00eancia<br>&#8211; a consequ\u00eancia final de sua falha e os meios de corrigi-la.<br><br><br><\/p><p> <\/p><h2><span style=\"color: #000000;\">RELATIVAMENTE \u00c0 OPOSI\u00c7\u00c3O SOBRE A NATUREZA DE DEUS :<\/span><\/h2><p> <\/p><p>Por um lado, a vers\u00e3o b\u00edblica apresenta Deus como uma pessoa de pleno direito, um deus transcendente, um ser que n\u00e3o \u00e9 apenas \u00fanico e omnipotente, mas tamb\u00e9m, e sobretudo, a concentra\u00e7\u00e3o absoluta e perfeitamente equilibrada de todas as qualidades, com o Amor no topo da lista.<br>Por outro lado, a vers\u00e3o contradit\u00f3ria apresentar\u00e1 Deus n\u00e3o como uma pessoa, mas como um &#8220;ser&#8221; imanente, impessoal, como uma energia presente em todo o lado, em todos os lugares e seres, ao contr\u00e1rio do deus b\u00edblico que \u00e9 &#8220;polarizado positivamente&#8221;, &#8220;n\u00e3o polarizado&#8221;, isto \u00e9, tudo ao mesmo tempo, positivo, negativo, neutro, como associa\u00e7\u00e3o, conjun\u00e7\u00e3o ou fus\u00e3o de todos os opostos (bem, mal, masculino, feminino, tudo e nada, etc.). Por isso, \u00e9 comummente designado por &#8220;o grande Tudo&#8221;, numa tentativa de transmitir tanto a sua natureza impessoal como o facto de ser a uni\u00e3o de todos os opostos poss\u00edveis.<\/p><p>A esta primeira grande oposi\u00e7\u00e3o doutrinal juntar-se-\u00e1 uma segunda, a da&#8230;<\/p><p> <\/p><h2><span style=\"color: #000000;\">A RAZ\u00c3O DA CRIA\u00c7\u00c3O DOS SERES E A SUA FINALIDADE :<\/span><\/h2><p> <\/p><p>Segundo a vers\u00e3o b\u00edblica, Deus criou todos os seres ang\u00e9licos e terrestres por amor, para que tamb\u00e9m eles gozassem da felicidade de viver e amar, e todos eles, enquanto criaturas inteligentes dotadas de livre arb\u00edtrio, quer sejam anjos ou humanos terrestres, est\u00e3o destinados a viver eternamente no reino paradis\u00edaco em que foram originalmente criados: um para\u00edso espiritual ou &#8220;celestial&#8221; para os anjos, ou um para\u00edso terrestre para os humanos, enquanto criaturas consideradas como filhos ou filhas do seu pai celestial. Gostaria tamb\u00e9m de salientar que a natureza destas criaturas continua a ser mortal, porque se uma delas escolhesse conscientemente o mal, a consequ\u00eancia seria a degenera\u00e7\u00e3o e a morte, o regresso ao nada.<\/p><p>De acordo com a vers\u00e3o contradit\u00f3ria, a raz\u00e3o pela qual todos os seres foram criados \u00e9 o resultado da divis\u00e3o do Ser Supremo original, o grande Todo, em seus diferentes opostos, de modo que todos os tipos de mundos, seres, naturezas e g\u00eaneros passaram a existir.<br>Quanto ao prop\u00f3sito de todas as criaturas, n\u00e3o \u00e9 que elas permane\u00e7am eternamente no dom\u00ednio em que foram inicialmente criadas, mas sim que gradualmente acabem se tornando divindades em seu pr\u00f3prio direito, eventualmente fundindo-se novamente com o Ser Supremo, o grande Todo.<br><br> Sendo uma extens\u00e3o, por meio da divis\u00e3o do grande Todo, ensina-se que essas criaturas s\u00e3o todas animadas por uma alma imortal que lhes permite, ap\u00f3s sua morte no mundo f\u00edsico, continuar a viver em outra forma para, por fim, alcan\u00e7ar esse objetivo final.<br>(A ideia \u00e9 que o Grande Todo criou tudo ao dividir o seu ser e que o objetivo de tudo o que \u00e9 criado \u00e9 regressar ao seu ponto de origem, ao Grande Todo, com um primeiro movimento de fluxo e um segundo movimento de refluxo, que entendemos ser um ciclo perp\u00e9tuo de divis\u00e3o e fus\u00e3o).<\/p><p>Compreendemos que esta conce\u00e7\u00e3o muito diferente do deus supremo e da raz\u00e3o profunda da cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher n\u00e3o os levar\u00e1 a apresentar da mesma maneira a rebeli\u00e3o do casal primordial no \u00c9den, as suas consequ\u00eancias desastrosas e os meios de as reparar, embora ambos falem disso.<\/p><p> <\/p><h2><span style=\"color: #000000;\">SOBRE A QUEST\u00c3O DAS CONSEQU\u00caNCIAS DA FALHA ED\u00c9NICA E A FORMA DE A REMEDIAR<\/span><\/h2><p> <\/p><p>Na vers\u00e3o b\u00edblica, a rebeli\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva \u00e9 apresentada como um ato de loucura ingrata e, uma vez que os humanos s\u00e3o almas mortais, como a pr\u00f3pria causa da sua morte final, o seu regresso ao nada e ao p\u00f3 e, por extens\u00e3o, a transmiss\u00e3o aos seus filhos, nascidos ap\u00f3s o seu pecado, de uma falha gen\u00e9tica que os condena \u00e0 morte desde o nascimento.<br>Da\u00ed a necessidade de satisfazer a justi\u00e7a divina trazendo \u00e0 terra uma criatura ang\u00e9lica, como anunciado na primeira profecia do G\u00e9nesis, um ser sem mancha nem defeito, um messias, um Cristo para oferecer a sua vida em resgate, para tomar o lugar do malvado pai primordial e assim salvar, redimir, todos os seus descendentes e reabrir as portas do para\u00edso perdido, para destruir o diabo e as suas obras.<\/p><p>Na vers\u00e3o contradit\u00f3ria, essa mesma rebeli\u00e3o, embora paradoxalmente tamb\u00e9m seja apresentada da mesma forma, ou seja, como um ato de loucura ego\u00edsta e ingrata, n\u00e3o ter\u00e1 as mesmas consequ\u00eancias para nossos primeiros pais.<br>Poder\u00edamos dizer que haver\u00e1 tr\u00eas op\u00e7\u00f5es para apresentar os fatos, tr\u00eas subvers\u00f5es dessa vers\u00e3o contradit\u00f3ria.<br>Pois, em virtude do fato de que o Deus supremo \u00e9 considerado o mal, o nada e o bem ao mesmo tempo, haver\u00e1 logicamente tr\u00eas maneiras diferentes de acabar se fundindo com Ele:<br><br><br><\/p><p> <\/p><h3><span style=\"color: #000000;\">O REGRESSO AO GRANDE TODO ATRAV\u00c9S DO CAMINHO DO MAL<\/span><\/h3><p> <\/p><p>A primeira subvers\u00e3o, que \u00e9 muito minorit\u00e1ria, \u00e9 o caminho do mal.<br>Ela consistir\u00e1 em dizer que, sendo o mal uma das facetas do Ser Supremo, o grande Todo, o mal \u00e9 simplesmente um caminho como qualquer outro (ou seja, como a busca do nada ou da bondade) para acabar se fundindo com o Ser Supremo. Tomar o caminho do mal \u00e9 apresentado como apenas outro caminho para a divindade, j\u00e1 que o Ser Supremo ou o grande Todo \u00e9 fundamentalmente, tamb\u00e9m, entre outras coisas, mau por natureza.<br>A partir de ent\u00e3o, nessa concep\u00e7\u00e3o, o ato de rebeli\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva ser\u00e1 apresentado como um modelo a ser seguido, pois permitiu que eles, ao escolherem o caminho do mal, conseguissem se fundir com o Grande Todo ap\u00f3s sua morte por esse caminho.<br><br><br>  Tal como a entendemos, esta \u00e9 a base doutrinal dos v\u00e1rios movimentos satanistas que defendem o mal como caminho para a ilumina\u00e7\u00e3o e que, ao longo dos tempos (tal como na altura do aparecimento de certos movimentos da gnose crist\u00e3), apresentaram o advers\u00e1rio de Deus, Satan\u00e1s Tit\u00e3 ou L\u00facifer, como sendo um adjunto de Deus \u00e0 semelhan\u00e7a de Cristo e, do seu ponto de vista, o seu melhor representante e o melhor guia a seguir.<\/p><p> <\/p><h3><span style=\"color: #000000;\">O REGRESSO AO GRANDE TODO ATRAV\u00c9S DO NIILISMO<\/span><\/h3><p> <\/p><p>A segunda subvers\u00e3o ser\u00e1 o caminho do nada.<br>Ela tamb\u00e9m ser\u00e1 minorit\u00e1ria, mas menos do que a anterior.<br>Ela consistir\u00e1 em dizer que a melhor maneira de alcan\u00e7ar a divindade suprema \u00e9 por meio da busca do nada, da autoaniquila\u00e7\u00e3o.<br>Como entendemos, essa \u00e9 a base doutrin\u00e1ria de todas as correntes niilistas que visam erradicar da alma humana, por qualquer meio, qualquer movimento da alma, positivo ou negativo, a fim de alcan\u00e7ar o &#8220;nirvana&#8221;, ou seja, a fus\u00e3o com o grande Tudo primordial, j\u00e1 que, por ser Tudo, \u00e9 tamb\u00e9m o Nada.<br><br><br><\/p><p> <\/p><h3><span style=\"color: #000000;\">O REGRESSO AO GRANDE TODO ATRAV\u00c9S DO CAMINHO DO BEM<\/span><\/h3><p> <\/p><p>Finalmente, a terceira subvers\u00e3o da contradit\u00f3ria vers\u00e3o b\u00edblica \u00e9 que a melhor maneira de alcan\u00e7ar a refus\u00e3o com o Grande Todo \u00e9 atrav\u00e9s da busca do bem.<\/p><p>\u00c9 essencialmente esta vers\u00e3o que a mitologia arcaica e antiga se desenvolveu (e mesmo que por vezes se cruze com as duas primeiras sub-vers\u00f5es), \u00e9 sem d\u00favida a vers\u00e3o mais claramente dominante, ou pelo menos a que era servida ao povo pelo sumo sacerd\u00f3cio.<\/p><p>Por esse motivo, examinaremos essa em particular em nossa an\u00e1lise da mitologia, pois \u00e9 a que essencialmente a sustenta.<br>Quanto \u00e0s duas primeiras, elas n\u00e3o ser\u00e3o evitadas nesta s\u00e9rie, mas ser\u00e3o objeto de uma an\u00e1lise futura e espec\u00edfica no volume 8, dedicado a religi\u00f5es e cultos.<br>Em vez de chamar essa vers\u00e3o de subvers\u00e3o da vers\u00e3o contradit\u00f3ria da B\u00edblia ou da falsa religi\u00e3o universal original, e por ser o pano de fundo da Mitologia, eu a chamarei simplesmente de vers\u00e3o mitol\u00f3gica.<br><br><br> Ao dizer isto, no entanto, n\u00e3o devemos perder de vista o facto de que a Mitologia j\u00e1 continha as sementes dos outros dois caminhos menores (o caminho do mal e o caminho do nada).<\/p><p>Uma vez que, na vers\u00e3o mitol\u00f3gica, a conquista da divindade atrav\u00e9s do caminho do bem estar\u00e1 subjacente a toda a an\u00e1lise dos volumes 2 a 4, penso que \u00e9 particularmente importante explic\u00e1-lo previamente, de forma t\u00e3o breve quanto poss\u00edvel:<\/p><p>Voltando aos nossos primeiros pais, ser-nos-\u00e1 ensinado que, apesar do seu terr\u00edvel erro e das suas terr\u00edveis consequ\u00eancias (mais uma vez, teremos a prova cabal de que a mitologia reconhece estes factos), eles conseguiram redimir-se atrav\u00e9s da sua morte.<\/p><p>O que \u00e9 que quer dizer com isso?<\/p><p>A vers\u00e3o mitol\u00f3gica, de fato, se admitir que a rebeli\u00e3o deles os condenou \u00e0 morte, apresentar\u00e1 essa morte como um auto-sacrif\u00edcio volunt\u00e1rio, assumido e aceito, de modo que a senten\u00e7a de morte ser\u00e1 apresentada como tendo um car\u00e1ter auto-sacrificial.<br>Em uma palavra, Ad\u00e3o e Eva ser\u00e3o apresentados como tendo se redimido por meio de sua morte.<br>(Entendemos que, para os crist\u00e3os, isso \u00e9 apenas uma nega\u00e7\u00e3o da necessidade do resgate de Cristo, caso nossos primeiros pais tenham se redimido).<br><br><br><\/p><p>Fundamentalmente, esta cren\u00e7a de que os nossos primeiros pais se purificaram aceitando a sua morte e, portanto, pelos seus pr\u00f3prios actos, acabar\u00e1 por se inscrever num quadro mais vasto, o da procura da Sublima\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Sublima\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 que quer dizer com isso?<\/p><p>A cren\u00e7a no poder da sublima\u00e7\u00e3o consistir\u00e1, de facto, em afirmar que um ser pecador, com defeitos ou faltas, \u00e9 capaz de se livrar deles pelos seus pr\u00f3prios meios e esfor\u00e7os. Todo ser ser\u00e1 capaz de se lavar de suas falhas, de se aperfei\u00e7oar no sentido estrito de se tornar perfeito novamente por seus pr\u00f3prios meios e, assim, acabar se fundindo com o Grande Todo.<br>Entendemos que esse \u00e9 o verdadeiro Graal ou pedra filosofal dos alquimistas, porque a verdadeira busca subjacente a esses s\u00edmbolos \u00e9 a da imortalidade autoadquirida, gra\u00e7as \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o do ser que empreende a busca interior para deixar para tr\u00e1s sua natureza humana pecaminosa, livrar-se de sua esc\u00f3ria, tornar-se de ess\u00eancia divina e, assim, fundir-se novamente com o grande Todo original.<br><br><br><\/p><p>Em rela\u00e7\u00e3o ao que os nossos primeiros pais alcan\u00e7aram, esta no\u00e7\u00e3o de sublima\u00e7\u00e3o ser\u00e1 alargada no sentido em que se ensinar\u00e1 que a sublima\u00e7\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada n\u00e3o s\u00f3 por uma morte auto-sacrificial como a que lhes foi atribu\u00edda, mas tamb\u00e9m no decurso de tr\u00eas per\u00edodos: durante a vida de cada ser, atrav\u00e9s da sua morte e tamb\u00e9m ap\u00f3s a sua morte.<\/p><p>Vejamos brevemente estes tr\u00eas modos poss\u00edveis:<\/p><p> <\/p><h4><span style=\"color: #000000;\">A POSS\u00cdVEL REALIZA\u00c7\u00c3O DA SUBLIMA\u00c7\u00c3O DURANTE A SUA VIDA: A AUTO-JUSTIFICA\u00c7\u00c3O ATRAV\u00c9S DAS SUAS OBRAS<\/span><\/h4><p> <\/p><p>Ensinar-se-\u00e1 que cada ser \u00e9 potencialmente capaz de se libertar da sua imperfei\u00e7\u00e3o durante a sua vida, atrav\u00e9s da auto-justifica\u00e7\u00e3o pelas suas obras.<br>Por exemplo, o crente ser\u00e1 ensinado que, se acumular um n\u00famero maior de boas a\u00e7\u00f5es do que de m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, ele prevalecer\u00e1 sozinho sobre si mesmo.<br>Ele tamb\u00e9m ser\u00e1 ensinado que, desde que se dedique a observar todos os tipos de ritos codificados, sejam eles lisonjeiros e\/ou frustrantes para os sentidos, sejam eles libertadores e\/ou expiat\u00f3rios por natureza, com, por exemplo, por um lado, ritos de ca\u00e7a m\u00edstica, canto m\u00edstico, dan\u00e7a m\u00edstica, sexualidade m\u00edstica, intoxica\u00e7\u00e3o m\u00edstica&#8230; ou, por outro lado, ritos de ascetismo, afli\u00e7\u00f5es, mortifica\u00e7\u00f5es, escarifica\u00e7\u00f5es, incis\u00f5es, autoflagela\u00e7\u00f5es&#8230; ser\u00e1 poss\u00edvel para ele alcan\u00e7ar a autopurifica\u00e7\u00e3o, libertar-se do materialismo, transcender sua natureza humana pecaminosa para alcan\u00e7ar um estado de gra\u00e7a compar\u00e1vel ao estado divino.<br>Na pr\u00e1tica, apenas um n\u00famero muito reduzido de pessoas, conhecidas como os poucos escolhidos, ser\u00e1 considerado como tendo alcan\u00e7ado este resultado durante a sua vida.<\/p><p> <\/p><h4><span style=\"color: #000000;\">A POSSIBILIDADE DE ALCAN\u00c7AR A SUBLIMA\u00c7\u00c3O ATRAV\u00c9S DA SUA MORTE<\/span><\/h4><p> <\/p><p>\u00c9 essa forma de alcan\u00e7ar a sublima\u00e7\u00e3o que mais veremos em nossa an\u00e1lise da vida de Ad\u00e3o e Eva conforme apresentada pela mitologia, porque \u00e9 acima de tudo esse meio que ela atribui a eles por terem conseguido se sublimar, comprar a si mesmos.<br>As outras duas possibilidades de sublima\u00e7\u00e3o do ser, durante a vida e ap\u00f3s a morte, ser\u00e3o duas no\u00e7\u00f5es mais ensinadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o dos crentes nesse caminho mitol\u00f3gico, mas n\u00e3o quando se trata de falar sobre o casal primordial.<br><br><br><\/p><p> <\/p><h5><span style=\"color: #000000;\">COMO SE APRESENTAR\u00c1 ESTA MORTE POR SUBLIMA\u00c7\u00c3O PARA AD\u00c3O E EVA?<\/span><\/h5><p> <\/p><p>Para fazer com que as pessoas acreditem que Ad\u00e3o e Eva se redimiram (condenando-se) \u00e0 morte, que a aceitaram e a usaram para se sublimar, o primeiro casal humano ser\u00e1 muitas vezes apresentado no mito, em seus v\u00e1rios avatares, como tendo se oferecido como sacrif\u00edcio, aceitando morrer para abrir o caminho para a imortalidade e, assim, mostrar o caminho para seus filhos.<br>Veremos que, para cada um deles, isso geralmente se manifesta na descri\u00e7\u00e3o de uma morte semelhante \u00e0 de Cristo, por exemplo, enforcado ou amarrado a um poste.<br>No entanto, conv\u00e9m salientar que, embora esta apresenta\u00e7\u00e3o tenha muitas vezes todas as caracter\u00edsticas de um sacrif\u00edcio semelhante ao de Cristo, n\u00e3o \u00e9 de modo algum da mesma natureza que o sacrif\u00edcio b\u00edblico, uma vez que, enquanto o sacrif\u00edcio de Cristo \u00e9 um sacrif\u00edcio de substitui\u00e7\u00e3o (no sentido em que ele morre como resgate para salvar pessoas que s\u00e3o prisioneiras e incapazes de se salvarem a si pr\u00f3prias), o sacrif\u00edcio de Ad\u00e3o e Eva ser\u00e1 apresentado como auto-sacrificial. Ser\u00e1 um sacrif\u00edcio do ego, no sentido em que n\u00e3o est\u00e3o a redimir ningu\u00e9m a n\u00e3o ser eles pr\u00f3prios. No entanto, ao fazerem este auto-sacrif\u00edcio, esta auto-compra, ser-lhes-\u00e1 ensinado que mostraram o caminho aos seus filhos que, se tamb\u00e9m eles quiserem alcan\u00e7ar a sublima\u00e7\u00e3o, devem estar preparados para fazer o mesmo. \u00c9 por isso que Ad\u00e3o e Eva, nos seus v\u00e1rios avatares divinizados, s\u00e3o apresentados como guias dos mortos, guias no al\u00e9m que mostram aos seus filhos devotos o caminho para sair da escurid\u00e3o da morte e, atrav\u00e9s da sua morte, acabam por atingir a ess\u00eancia divina como eles.<\/p><p> <\/p><h5><span style=\"color: #000000;\">LIGA\u00c7\u00c3O ENTRE A PROMESSA DE UM FILHO SALVADOR E O PODER ESPECIAL CONCEDIDO A EVA PARA PERMITIR QUE O SEU MARIDO SE SUBLIMASSE E RENASCESSE COMO O DEUS-FILHO, A CONTRAPARTE MITOL\u00d3GICA DO CRISTO B\u00cdBLICO<\/span><\/h5><p> <\/p><p>A esta no\u00e7\u00e3o deve acrescentar-se uma outra que viria a conferir a Eva, a m\u00e3e primordial deificada como deusa-m\u00e3e, um poder muito especial, um poder que acabaria por lhe garantir a preemin\u00eancia no culto.<\/p><p>\u00c9 preciso compreender que a primeira profecia do G\u00e9nesis (G\u00e9nesis 3,15), que anunciava a vinda de um Cristo salvador, um filho, uma semente, que destruiria as obras daqueles que se opunham ao verdadeiro Deus b\u00edblico, introduzia a no\u00e7\u00e3o de filho.<\/p><p>Veremos, ent\u00e3o, que a mitologia tamb\u00e9m se apropriou completamente desse surgimento de um filho salvador.<br>E o fez de uma forma bastante surpreendente, ensinando que o Pai dos deuses (o homem primordial, Ad\u00e3o, divinizado), embora tenha conseguido, por seus pr\u00f3prios meios, por meio de sua morte apresentada como autossacrificial, redimir-se e, assim, tornar-se a grande divindade, fez a escolha, por amor a seus filhos, de permanecer na Terra para continuar a desempenhar um papel duplo de governante e guia espiritual para seus filhos.<br><br><br><\/p><p>Para esse fim, e para que ele pr\u00f3prio pudesse desempenhar o papel do anunciado messias-salvador, ensinava-se simplesmente que ele havia reencarnado em seu filho, e assim por diante, por extens\u00e3o, em todos os membros de sua principal linhagem ou dinastia f\u00edsica e espiritual.<br>(Neste sentido, por exemplo, o(s) fara\u00f3(s) \u00e9(s\u00e3o) a reencarna\u00e7\u00e3o do grande deus solar Re).<\/p><p>\u00c9, pois, essencial compreender que o filho, em todas as tr\u00edades da mitologia, \u00e9 simplesmente a reencarna\u00e7\u00e3o do Pai, depois de este ter atingido a divindade.<\/p><p>Este livro analisa todos os s\u00edmbolos utilizados na mitologia para representar o filho, e s\u00e3o muitos.<\/p><p>Tamb\u00e9m veremos que, assim como seus pais, o filho-messias pag\u00e3o, na maioria de seus avatares, tamb\u00e9m ser\u00e1 apresentado como uma divindade heroica e orientadora, mostrando aos humanos, por meio de exemplos, como trilhar com sucesso o caminho da sublima\u00e7\u00e3o e, assim, alcan\u00e7ar a divindade.<br>Veremos que, embora a mitologia reconhe\u00e7a o princ\u00edpio de um resgate para apagar os pecados, trata-se essencialmente de um Cristo, n\u00e3o no sentido crist\u00e3o do termo, isto \u00e9, oferecendo a sua vida como sacrif\u00edcio substitutivo, mas antes de uma divindade orientadora que ensina que cada um pode salvar-se a si pr\u00f3prio, em virtude do dogma mitol\u00f3gico que \u00e9, como ter\u00e3o compreendido, que cada um \u00e9 o seu pr\u00f3prio Cristo Salvador.<\/p><p>Dito isso, tamb\u00e9m \u00e9 essencial entender por quais meios essa reencarna\u00e7\u00e3o, ou renascimento do Pai em seu Filho, ocorrer\u00e1:<br>Como veremos, a primeira profecia do G\u00eanesis anunciou que a vinda do Messias ocorreria por meio da &#8220;mulher&#8221;, para usar a express\u00e3o do G\u00eanesis.<br>Agora, sem entrar nos detalhes de sua verdadeira identidade b\u00edblica, a mitologia tamb\u00e9m vai se reapropriar desse elemento da profecia, mas aplicando-o a Eva. De acordo com a vers\u00e3o mitol\u00f3gica, foi por meio de Eva que Cristo, o Rei-Sacerdote prometido, viria.<br>Essa seria a base doutrin\u00e1ria para ensinar que o marido dela, morto e divinizado, para retornar \u00e0 Terra e, assim, desempenhar seu papel como Cristo, o Rei-sacerdote, teria de retornar ao ventre de Eva, a deusa-m\u00e3e, para renascer na forma do deus-filho.<br>Entendemos que essa \u00e9 a base das tr\u00edades ou trindades Pai\/M\u00e3e\/Filho que abundam na mitologia (por exemplo, Os\u00edris, \u00cdsis e H\u00f3rus).<br><br><br> <\/p><p>Al\u00e9m disso, por meio de uma mudan\u00e7a doutrin\u00e1ria, e embora ao mesmo tempo tenha sido ensinado que o pai dos deuses havia comprado a si mesmo sozinho, ser\u00e1 ensinado que foi tamb\u00e9m sua passagem, ao morrer, pelo ventre de sua esposa, a deusa-m\u00e3e, que lhe permitiu sublimar-se.<br>Por outras palavras, o ventre da deusa-m\u00e3e ter\u00e1 o poder de o ter lavado, de o ter purificado das suas faltas, de o ter transformado na grande divindade capaz de se fundir com o grande Todo ou, ent\u00e3o, de permanecer na terra atrav\u00e9s do renascimento para continuar a servir de guia como filho reencarnado do pai.<br>Esse processo de purifica\u00e7\u00e3o realizado pela matriz ser\u00e1 at\u00e9 mesmo detalhado como sendo o resultado de uma a\u00e7\u00e3o tripla de purifica\u00e7\u00e3o da alma com, portanto, tr\u00eas a\u00e7\u00f5es supostamente realizadas por ela:<br>1. mistura e tritura\u00e7\u00e3o da alma<br>2. bater, misturar ou agitar a alma<br>3. queimar a alma<br>No quarto est\u00e1gio, a alma \u00e9 liberada e renasce como uma alma purificada de ess\u00eancia divina ou como um filho.<\/p><p>Vamos analisar todos os s\u00edmbolos &#8211; e s\u00e3o muitos &#8211; que simbolizam a matriz da Deusa M\u00e3e, bem como os que reflectem a realidade do seu processo de purifica\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Veremos tamb\u00e9m que a este ventre e, por extens\u00e3o, a todos os fluidos corporais da deusa-m\u00e3e e mesmo do pai dos deuses \u00e9 atribu\u00edda a virtude de obter a imortalidade atrav\u00e9s da sua absor\u00e7\u00e3o literal. Vamos tamb\u00e9m analisar todos os s\u00edmbolos &#8211; e s\u00e3o muitos &#8211; que atestam e reflectem esta mesma ideia.<\/p><p> <\/p><h5><span style=\"color: #000000;\">QUAIS S\u00c3O AS CONSEQU\u00caNCIAS PARA OS CRENTES NO CAMINHO MITOL\u00d3GICO (DO BEM) PARA A SUBLIMA\u00c7\u00c3O NA MORTE?<\/span><\/h5><p> <\/p><p>Logicamente, o mesmo racioc\u00ednio pelo qual o homem primordial deificado, o Pai dos deuses, conseguiu se sublimar na morte foi aplicado aos crentes:<br>Assim como o Pai dos Deuses, eles teriam de abordar sua morte e &#8220;viver sua morte&#8221; como um auto-sacrif\u00edcio para pagar por suas falhas passadas, como um sacrif\u00edcio do ego. Esta \u00e9, sem d\u00favida, a raz\u00e3o doutrinal pela qual os candidatos ao sacrif\u00edcio humano eram adornados com todas as virtudes, uma vez que esta oferta volunt\u00e1ria \u00e0 grande divindade lhes era apresentada como a melhor forma de pagarem as suas faltas, de a imitarem e, como ela, de se tornarem novamente divinos.<\/p><p>No entanto, se por acaso &#8211; e esse era, obviamente, o caso da maioria &#8211; eles n\u00e3o fossem considerados de um n\u00edvel espiritual suficientemente elevado para conseguir isso, eles eram ensinados que a morte era semelhante a um retorno ao ventre da deusa-m\u00e3e, um per\u00edodo moment\u00e2neo de escurid\u00e3o marcado, \u00e9 verdade, pelos tormentos da alma gerados por sua tripla a\u00e7\u00e3o purificadora (esmagar, bater, queimar), mas cujo resultado final seria, de qualquer forma, que eles emergiriam (exceto os mais vis entre eles) lavados, limpos e sublimados. Ou para se tornarem divindades fora da esfera celestial, ou para terem um novo nascimento terreno.<\/p><p> <\/p><h4><span style=\"color: #000000;\">A POSSIBILIDADE DE ALCAN\u00c7AR A SUBLIMA\u00c7\u00c3O AP\u00d3S A MORTE: QUE CONSEQU\u00caNCIAS TEM PARA OS CRENTES NA MITOLOGIA?<\/span><\/h4><p> <\/p><p>De modo geral, se o crente mitol\u00f3gico n\u00e3o tivesse sido capaz de se sublimar durante sua vida, ele tinha que aceitar como necess\u00e1ria a ideia de sua morte humana, a destrui\u00e7\u00e3o de seu corpo e uma puni\u00e7\u00e3o no ventre da Deusa M\u00e3e, na vida ap\u00f3s a morte, para pagar e ser lavado de suas falhas passadas a fim de ser totalmente purificado. Ele poderia ent\u00e3o, gra\u00e7as a ela, experimentar um novo nascimento, uma regenera\u00e7\u00e3o, que lhe permitiria, depois de ter passado por seu ciclo de purifica\u00e7\u00e3o e mesmo depois de m\u00faltiplos renascimentos ou reencarna\u00e7\u00f5es, finalmente conseguir se tornar novamente pura ess\u00eancia divina, fundir-se com o grande Todo, o ser supremo.<\/p><p>Compreensivelmente, esta aceita\u00e7\u00e3o de que a morte era uma passagem de sofrimento tempor\u00e1rio, necess\u00e1ria para o renascimento atrav\u00e9s da matriz da deusa-m\u00e3e, viria a constituir a base doutrinal de muitos ensinamentos sobre a condi\u00e7\u00e3o dos mortos.<\/p><p>Por conseguinte, acredita-se que os esp\u00edritos dos falecidos (ou esp\u00edritos dos mortos) no Al\u00e9m partilham diferentes feiti\u00e7os, que podem ser classificados em tr\u00eas categorias principais:<\/p><p>As &#8220;almas boas&#8221;, muitas vezes depois de sofrerem uma forma de puni\u00e7\u00e3o pelos seus actos repreens\u00edveis, obter\u00e3o uma forma interm\u00e9dia de felicidade antes de um dia, dependendo da sua evolu\u00e7\u00e3o, se fundirem com a divindade suprema.<\/p><p>Aqueles que n\u00e3o fizeram boas ac\u00e7\u00f5es suficientes durante a sua vida vaguear\u00e3o em dimens\u00f5es, lugares transit\u00f3rios de sofrimento (limbo, purgat\u00f3rio, estados interm\u00e9dios de reencarna\u00e7\u00e3o) a partir dos quais poder\u00e3o, por inveja ou mal\u00edcia, continuar a causar danos aos vivos, e a quem ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1rio tentar apaziguar e ajudar para acabar na mesma condi\u00e7\u00e3o que os primeiros.<\/p><p>As almas mais vis ir\u00e3o para um lugar de sofrimento definitivo, o prel\u00fadio do inferno.<\/p><p> <\/p><h4><span style=\"color: #000000;\">O GRANDE TUDA<\/span><\/h4><p> <\/p><p>Entendemos que este poder de purifica\u00e7\u00e3o concedido \u00e0 deusa-m\u00e3e lhe dar\u00e1 uma verdadeira ascend\u00eancia sobre o seu marido, um papel preponderante. O fato de ela ter se tornado a m\u00e3e do Pai dos deuses, a M\u00e3e de Deus, estabeleceu sua onipot\u00eancia a tal ponto que, como veremos, o Grande Tudo, o Ser Supremo da Mitologia, que normalmente deveria ser polig\u00eanero, acabou sendo fortemente feminino&#8230;<br>Neste ponto, chegamos ao final de nossa an\u00e1lise e completamos o c\u00edrculo com a no\u00e7\u00e3o preliminar do Ser Supremo examinada na introdu\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Na conclus\u00e3o do volume 2, apresentaremos, de forma bastante simples, as v\u00e1rias marcas doutrinais que diferenciam as duas vers\u00f5es originais, a b\u00edblica e a mitol\u00f3gica.<\/p><p>Permitam-me que conclua este resumo comparativo das duas religi\u00f5es dizendo que \u00e9 absolutamente essencial compreender estas no\u00e7\u00f5es elementares, porque todo o misticismo arcaico e antigo se baseia nelas, e que vos ser\u00e1 \u00fatil, creio eu, voltar a elas periodicamente para situar claramente a fase em que se encontra o objeto do vosso exame.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tabela de conte\u00fado J\u00e1 mencionei v\u00e1rias vezes que minha s\u00e9rie destacar\u00e1 e comparar\u00e1 duas religi\u00f5es, duas vers\u00f5es com interpreta\u00e7\u00f5es diferentes dos mesmos eventos hist\u00f3ricos no \u00c9den b\u00edblico. Agora considero \u00fatil fornecer um resumo comparativo das respectivas doutrinas dessas duas grandes religi\u00f5es universais originais na introdu\u00e7\u00e3o deste grande volume 2 (embora este volume seja apresentado cronologicamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":43468,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-18190","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Volume 2 Introdu\u00e7\u00e3o: Um resumo preliminar das duas religi\u00f5es primordiais antag\u00f4nicas - Yvar Bregeant<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.yvar-bregeant.com\/pt-pt\/volume-2-introducao-um-resumo-preliminar-das-duas-religioes-primordiais-antagonicas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Volume 2 Introdu\u00e7\u00e3o: Um resumo preliminar das duas religi\u00f5es primordiais antag\u00f4nicas - Yvar Bregeant\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tabela de conte\u00fado J\u00e1 mencionei v\u00e1rias vezes que minha s\u00e9rie destacar\u00e1 e comparar\u00e1 duas religi\u00f5es, duas vers\u00f5es com interpreta\u00e7\u00f5es diferentes dos mesmos eventos hist\u00f3ricos no \u00c9den b\u00edblico. 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